quinta-feira, 15 de julho de 2010

“Receita que pode desandar”

A substituição do produto brasileiro por importados pode dar lucro rápido. Mas até quando?

Receita para aumento da rentabilidade a toque de caixa: substitua componentes, ou mesmo produtos acabados, que façam parte do chamado core business de sua empresa, por itens importados. Para fazer montagens e empacotar, reserve alguns funcionários – 5% ou 10% deles, conforme a conveniência – e dispense o restante. Indenize-os na forma da lei. Não se preocupe com inovação, qualidade, desenvolvimento de tecnologia e solidificação de know-how. O que importa é ter preço mais baixo do que a concorrência, pois o ganho é certo. O único problema – sem contar o daqueles 90%, 95% de trabalhadores que perderam seus empregos – é que a mágica não pode durar para sempre.

Essa fórmula de negócio, que vem se consolidando de forma cada vez mais vigorosa na cadeia produtiva do Brasil (incluindo nacos do segmento de embalagem), é hoje motivo de debate, nas hostes especializadas, entre duas correntes. De um lado, com mais densidade na área governamental, estão aqueles que acham exagerada a preocupação com a possibilidade de desindustrialização do país ante a onda de importações insuflada pelo disparo do consumo interno e pela valorização do real frente ao dólar. Na outra ponta estão economista e empresários que vêem no aumento das importações e na perda de competitividade dos produtos brasileiros uma ameaça à sobrevivência da estrutura industrial que o País construiu a duras penas em pouco mais de meio século.

EmbalagemMarca considera que esta última corrente está com a razão. Não foi preciso queimar muitos neurônios para chegar a essa conclusão. Frequentamos supermercados, drogarias, lojas de eletrônicos, armazéns de secos e molhados. A cada dia vemos nas prateleiras número crescente de produtos vindos do mundo inteiro – com destaque, claro, para os chineses. Também visitamos feiras de negócios no exterior e no País. As áreas ocupadas por estandes do país asiático estão cada vez maiores, para tristeza dos encurralados expositores nacionais. Os chineses não são bobos. Vendo que seu grandes manás, os mercados americano e europeu, encolheram na esteira da crise financeira mundial, voltam as baterias para a América Latina. Ou seja, vêm concorrer com o Brasil, na casa do vizinho e porta adentro de nossa própria casa. Por enquanto parece não incomodar muito, pois o consumo está a toda. Mas como será quando não estiver?

Foi por tudo isso que EmbalagemMarca organizou, no âmbito do Ciclo de Conhecimento, um evento para debater a questão. Trata-se do Seminário Estratégico “Produzindo no Brasil”, que ocorrerá dia 10 de agosto próximo, em São Paulo. Nele serão procurados caminhos para enfrentar o que alguns já chamam de “invasão dos importados” (acondicionados, não custa lembrar). Para discutir formas de reverter a onda, buscando inserir o Brasil no mercado global como um saudável exportador de bens que passem por fases sucessivas de manufatura – ou seja, com adição de valor –, o Seminário de 10 de agosto vai reunir personalidades atuantes em importantes segmentos da cadeia produtiva. Veja alguns nomes já confirmados e os temas que abordarão.


SEMINÁRIO ESTRATÉGICO “PRODUZINDO NO BRASIL”

DATA: 10 de agosto de 2010 – São Paulo, SP

CENÁRIO: Maurício Groke, Presidente da Abre – Associação Brasileira de Embalagens

Uma análise da atual situação da balança comercial, especialmente no que se refere aos bens de consumo não-duráveis, e uma explanação sobre os riscos que um desequilíbrio nessa conta pode trazer para a cadeia brasileira de embalagens.


FAZENDO NEGÓCIOS NO BRASIL – Luis Aldo Sanchez-Ortega, especialista senior do produto Doing Business no IFC – International Finance Corporation/World Bank Group.

Comparação da competitividade brasileira com a de outros países (especificamente os que competem mais diretamente com o Brasil). Palestra em inglês com tradução simultânea


OS REFLEXOS SOBRE A INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE EMBALAGEM – Fernando Bueno, Vice Presidente de Competitividade da Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos

Uma análise de como o chamado “Custo Brasil” afeta a capacidade de a indústria brasileira de máquinas e equipamentos competir internacionalmente.


PERSPECTIVAS PARA AS INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E DE EMBALAGEM – Luís Madi, diretor-geral do Ital – Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

A importância de uma visão estratégica na indústria brasileira de alimentos, com vistas a estimular a formação de instrumentos para a inovação. Projeções com base nos resultados do Brasil Food Trends 2020, estudo conduzido pelo Ital em parceria com o Departamento de Agronegócios da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.


EM BUSCA DA COMPETITIVIDADE – José Ricardo Roriz Coelho, Diretor de Competitividade e Tecnologia da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Esforços para superar os fatores que reduzem a competitividade da indústria brasileira, com foco na cadeia produtiva de embalagens.


BRASIL EXPORTADOR DE VALOR AGREGADO – Maurício Borges, Diretor de Negócios da Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos

Estímulos para que a balança comercial brasileira tenha maior participação de produtos acabados.


ESTUDO DE CASO – Ricardo Faucon, Diretor de Suprimentos da Natura

Uma demonstração de que os três pilares da sustentabilidade (ambiental, social e econômico) podem caminhar alinhados numa empresa de sucesso.




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